Prendan las luces



A vida é um momento.

Ontem fui visitar a Catedral Santa Maria del Mar. Quando entrei, vindo daquele barulho todo da multidão de turistas do lado de fora, foi como um refúgio, um oásis de luz e silêncio no meio do caos do verão de Barcelona.

Era domingo quase noite, as luzes todas estavam acesas, uma iluminação dramática destacava a arquitetura belíssima. Nenhum altar de ouro, nenhum anjo dourado, só a arquitetura estonteante e equilibrada do edifício, com suas luzes.

Hoje descobri que não só a Catedral foi feita a beira do mar, por isso que é conhecida como a Catedral do Mar, como também existe um livro famoso que conta um romance tendo a catedral como um dos personagens.

Resolvi comprar o livro.

Mas antes de comprar resolvi voltar a Catedral.

Já que vou ler um romance sobre ela pensei que seria bom rever todos os detalhes e mais alguns novos.

Quando entrei, as luzes estavam apagadas.

Era uma igreja escura como tantas outras, sem nenhum dram, sem nenhum charme, nada.

As pessoas continuavam tirando fotos daquele edifício triste e sem luz.

Pensei, se tivesse conhecido a Catedral hoje, talvez não tivesse gostado. Talvez achasse normal e sem nenhum destaque.

Talvez não me interessasse pelo livro.

O que eu vi ontem ninguém viu hoje.