Depois de um sábado inteiro dormindo ou terminando os livros que decidi ler, um domingo na CasaCor e jantar no Ritz do Itaim com Roberto e Roberta, o tédio da semana volta na segunda à noite.
O professor do MBA é um ogro, suas sobrancelhas são duas taturanas, o seu suéter é apertado marcando a barriga enorme e o umbigo. Ele tem um tique e coça o nariz de 30 em 30 segundos. Tem olhos de louco.
Sentei do lado do P., muito divertido, ganha 20 mil euros mensais, para pagar o apartamento em Genebra. Está de gravata Ermenegildo Zegna. Está deixando a barba crescer para parecer mais velho nas reuniões com os fornecedores. Estou dando umas aulas pra ele perder o sotaque do Crato.
Boa conversa com meu colega F., me contou coisas pessoais, é incrível como às vezes as vidas das pessoas podem ser tão parecidas. Também me parece cansado, imaginando um vida melhor fora do país, a velha utopia da possibilidade de uma felicidade longe daqui.
R. M. B. me ligou, perguntou se eu posso ajudar ele a comprar uns ternos para o novo emprego. Acho que vamos ao Morumbi.
Estou muito cansado da FIA, da comida, das secretárias, dos inúmeros e-mails dizendo que existe material no portal, da distância da USP, de alguns alunos, da maneira como eles se vestem, acho que estou cansado de gente.
Quando vão chegar as notícias boas? Quando aquela ligação ou e-mail que podem mudar um vida vão aparecer?
Comprar toalhas novas, um tapete, arrumar os puxadores do armário, a cortina, levar o carro no recall.
Preciso de uma massagem.
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